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2 de junho de 2008

Estágio Sub-10 da AT Porto - Braga



Um fim-de-semana absolutamente alucinante e uma experiência inesquecível, são alguns dos adjectivos que nos lembramos, ainda a quente, para descrever o que aconteceu este fim-de-semana no Clube de Ténis de Braga.
Não, não estamos a falar do ITF feminino (apesar de termos visto uma excelente organização e um court central cheio numa final com direito a transmissão televisiva em directo para a SportTv 3) mas sim das jornadas nortenhas do PNDT, em estágio organizado pela Associação de Ténis do Porto e com o acompanhamento da Federação Portuguesa de Ténis.
A convite da AT Porto (e quem, encarecidamente agradecemos) pudemos acompanhar e contactar durante dois dias com cerca de 50 meninos e meninas de 7, 8 9 e 10 anos, oriundos de diversos clubes do norte e também da Figueira da Foz e de Coimbra.
O programa das Selecções da ATP, conjuntamente com os estágios regionais do Plano Nacional de Detecção de Talentos, são conjuntos de iniciativas de carácter teórico, pratico e social, destinadas a incutir, desenvolver e descobrir diversas variáveis envolventes ao desporto individual que é o Ténis, com uma forte componente lúdica e de sociabilização integrada, que são verdadeiros exemplos de como uma boa ideia, bem estruturada e organizada, pode proporcionar a todos os que nela participar uma experiência devoradora.
Em perfeita harmonia, a ATP, a FPT e o Clube local, envolvendo dirigentes e treinadores, reuniram na passada semana em Vila do Conde e este fim-de-semana em Braga um conjunto muito interessante de miúdos que acreditamos podem ser exemplos a seguir no futuro.
Não querendo entrar muito nos aspectos técnicos do estágio, é interessante verificar que, em Portugal, e utilizando os sistemas comummente aceites a nível internacional e preconizados pela ITF, já se trabalha utilizando recursos programáticos muito desenvolvidos e, nalguns casos, ombreando com o melhor que se faz na Europa e no Mundo. Com a ajuda das universidades e dos mais renomados especialistas mundiais ( César Coutinho vai igualmente acompanhar uma parte deste trabalho), tudo se torna mais fácil e aquilo que parece inacessível, afinal, está mesmo ali ao lado.
Os miúdos são sujeitos, de uma forma agradável e bastante própria para as suas idades, a uma série de testes físicos e psicomotores que, tratados informaticamente, irão pertencer a uma base de dados interna e confidencial que permite, num curto espaço de tempo, auferir das potencialidades e dificuldades de cada um dos intervenientes no estágio, estando essa informação, já tratada informaticamente, disponível para cada um dos treinadores de cada um dos atletas, permitindo a estes, que não dispõem nem dos meios nem da tecnologia, durante do treinos diários, alterar a especificidade do trabalho a dar a cada um dos miúdos, levando-os a aperfeiçoar as suas faculdades e a eliminar os erros que são, obviamente, comuns nestas idades.
A própria metodologia do treino sofre enormes alterações em relação ao que os clubes fazem diariamente, pretendendo-se que, a pouco e pouco, e dando cada vez mais e melhor informação aos treinadores, que os alunos assumam as mais recentes linhas orientadoras de sucesso ao nível do treinamento e do jogo em si, sem com isso terem incomportáveis gastos financeiros e de recursos humanos.
Depois a parte da sociabilização dos miúdos. Uma noite sem os pais é, para alguns, uma enorme e por vezes original barreira a ultrapassar. É pois fundamental que se exerça uma vertente pedagógica muito cuidada (aqui, neste aspecto, saliento o trabalho fabuloso do Prof. Lobão, que ganhou muitos “ filhos” este fim de semana), para que este pequeno passo que é para muitos gigantesco, se ultrapasse de “ peito feito” e com um sorriso nos lábios.
Neste aspecto a escolha do local da pernoita (a DiverLanhoso) em pleno parque natural, com o mundo aos seus pés e com actividades físicas e de entreajuda fundamentais neste estágio, foi um tiro certeiro, tendo muitos dos miúdos ficado absolutamente fascinados com aquele final de tarde de sábado.
Obviamente que o estágio tem igualmente uma parte de competição que ocorreu paralelamente, e que decorreu com jogos quase contínuos, intercalados com as diversas componentes técnicas e tacticas do estágio e onde, durante dois dias, pudemos, acreditamos nós, observar todos os jogadores em actividade.
Porque somos um blog de nomes e números, os vencedores tem aqui uma palavra especial.
Joana Neves do Sport Club do Porto nas meninas e Pedro Lima do Estrela Vigorosa nos meninos venceram as respectivas finais de sub-10, em pleno court central e, imagine-se, com transmissão directa e integral através da SportTv3 o que, se não é inédito, será, pelo menos, um caso raríssimo mas que se quer repetível no futuro.
Outros miúdos nos chamaram a atenção, muitos mais pelos pormenores do que pelos resultados: Luis Faria, do CT Guimarães e finalista vencido, pareceu-nos ser o jogador mais completo presente no estágio mas ainda muito ansioso em terminar os pontos mais rapidamente do que necessitaria, Hugo Maia, um pequeno artista de Braga e que com apenas 7 anos e dois meses mostrou enormes potencialidades, Rafael Andrade da ET Maia, muito completo mas algo inconsistente, Hugo Costa da Figueira da Foz, excelentes capacidades tacticas de fazer inveja a muitos graúdos,entre muitos outros que fomos vendo e gostando.
Nas meninas, as duas finalistas, a referida Joana, de longe a melhor jogadora do grupo, e a Michelle Ortega do CT Braga, com excelentes potencialidades a serem exploradas, destacavam-se das restantes ,mas a Patrícia Faia da AA Coimbra também nos pareceu muito evoluída, tanto técnica como tacticamente, apesar de não ter conseguido grandes resultados.
Um reparo para os pais dos miúdos.
Eu também sou pai e sei bem que a paternidade altera completamente a perspectiva que temos da vida e todos queremos o melhor para os nossos filhos mas, observando de longe e de uma forma anónima, constatamos que muitos dos progenitores encaravam muitos dos jogos de uma forma algo insólita, lançando olhares e, amiúdes vezes, “ incentivos” que mais não faziam do que tornar mais difícil a tarefa do seu filho, que ali estava, para jogar, divertir-se e, se possível, ganhar.
Perder, nestas idades, faz parte do desporto e da própria aprendizagem, e vimos, vezes sem conta, os miúdos a saírem dos courts, depois de perderem, de lágrimas nos olhos… Mas se isso será perfeitamente normal em miúdos de 7 e 8 anos, sobretudo durante um fim de semana onde muitos jogaram bem mais do que 10 encontros, não será normal é ver os pais discutirem de uma forma estranha com o seu filho, enquanto este soluçava, a razão daquele serviço menos conseguido ou porque não cruzou ele aquela bola tão fácil.
Enfim, costuma-se dizer que os filhos são um pouco a imagem dos pais e este velho ditado nunca se aplicou tão bem.
Divertir-se, jogando ténis, deverá ser este o lema que os pais deverão ter mentalmente assimilado antes de procederem a incoerentes avisos aos seus filhos. Como alguém me disse , não existem pais problemáticos, existem pais mal informados e dai que o estágio começou com uma explicação das regras do jogo que os pais não devem, em caso algum, quebrar.
Curiosamente ou talvez não, os pais dos tenistas que mais longe chegaram na competição eram os mais discretos, por vezes completamente alheios ao jogo que o seu filho estava a realizar ali ao lado. E era enternecedor ver o miúdo vir a correr, feliz, abraçar o pai e dizer que tinha ganho um jogo que o pai nem sequer tinha manifestado interesse em seguir. Por outro lado, sentiamos um aperto ao ver outros que, depois de uma derrota, e ainda a limpar as lágrimas, se refugiavam num abraço ao Lobão ou a outro técnico presente não querendo, sequer, encarar o pai que tinha estado, em permanência , a lançar olhares reprovadores para o jogo menos conseguido do miúdo.
Espero sinceramente que todos os pais de todos os miúdos destas idades e mesmo de outras mais avançadas, não tenham atitudes que em nada beneficiam os seus filhos, uns são melhores que outros e não será um pai demasiado presente que vai mudar a situação.
Um obrigado a todos os pais e miúdos que não se importaram de partilhar comigo as experiências deste fim de semana e à AT Porto pelo convite e pela amabilidade e cordialidade com que me acolheram neste maravilhoso mundo das crianças.
Desta forma, o mundo dos nossos filhos será sempre um mundo melhor.
Na foto , os e as vencedoras do torneio de sub-10.

9 comentários:

  1. E era enternecedor ver o miúdo vir a correr, feliz, abraçar o pai e dizer que tinha ganho um jogo que o pai nem sequer tinha manifestado interesse em seguir.

    Enternecedor? Coitados dos miúdos que têm pais que não têm interesse em seguir os seus jogos.

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  2. Caro amigo:
    Interesse em seguir os jogos pode ser demonstrado de muitas formas e , sobre aquelas que refiro, acredite que os miúdos preferiam que os pais não estivessem lá....

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  3. É verdade Rui!
    Aqui é que se vê como há "tantos pais frustrados"!Mas por favor não transmitam isso para os Vossos filhos!

    Não tenho filhos destas idades, não estive em Braga, mas adoro ver estes meninos e meninas jogarem e divertirem-se.

    Aproveito para endereçar parabéns ao Pedro Lobão, este sim tem muito jeito para crianças destas idades - o que falta a muitos treinadores e com mais experiência no ensino do ténis.

    MR

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  4. João Calheiros Lobo3 de junho de 2008 às 10:35

    A crítica fácil aos pais não me agradou nada e acho que é um mau caminho. Nem sempre um abraço é melhor que uma crítica ou o olhar aparentemente desinteressado de um Pai, por muito que se queira ou não é sempre o Pai e o resto é paisagem.

    Um pai nunca está demasiado presente e sinceramente como pai acho os parágrafos infelizes.

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  5. Cada vez mais os pais devem fazer parte do projecto que é comum, para todas as partes. as crianças não são independentes e como tal, precisam sempre do acompanhamento dos pais em todas as situações em que o desporto é apenas mais uma.
    parece é que no tenis muitas das vezes em vez de puxarem os pais para o projecto querem é mete-los de parte, tipo, se o pai vai brincar com a criança ao tenis,é porque já anda armado em treinador e não é nada disso ninguém substitui ninguém... puxem os pais para o projecto pois ganham colaboradores excepcionais pois querem o melhor para os seus filhos, com reuniões e acima de tudo esclarecimentos acerca do desenvolvimento da criança na modalidade. os pais não são apenas paistrocinios, e, emprestam as crianças á modalidade, num triangulo que deve ser respeitado e não é, veja-se as convocatórias das crianças para as selecções que são feitas para os clubes sem os pais terem conhecimento, entre outras coisas...

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  6. caro anonimo anterior!! já está a difamar!!! as convocatórias são para os treinadores dos jogadores que posteriormente vão para os pais para darem a devida autorização. se os miudos saiem com as selecções tem que ter OBRIGATORIAMENTE a autorização dos enc educação....

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  7. Parabéns Rui, excelente trabalho, tocaste na ferida, ás vezes é preciso essa coragem.Eu sou Pai de uma menina dessa idade, e considero-me Pai não muito galinha e até bastante conservador, e ás vezes fico completamente abismado com algumas atitudes de alguns Pais, parece que querem que os filhos ganhem a qualquer preço, seja a roubar bolas,por falta de comparência, e se os olhos fossem armas, alguns adversários dos seus filhos, estaríam completamente baleados.Nestas idades( até aos 14) aprende-se muito mais com as derrotas do que com as vitórias, ganhar sempre nestas idades é muito mau.Em relacção á intervenção dos Pais, é isso mesmo, intervenção como pais, obviamente como na escola, temos reuniões com os Directores de turma e sempre que achamos que o nossos filhos estão mal, reunimos com os Directores, no ténis tem que ser igual, sempre para o bem estar dos nossos filhos que tem que ser o nosso bem estar.Um Abraço e obg a todos

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  8. concordo plenamente com o autor do texto, so nao achara o mesmo quem nunca presenciou algum torneio juvenil!
    esses pais, a maior parte das vezes, nem nunca fizeram desporto..sabem la as dificuldades que é estar sozinho num campo a ter de lidar com a pressao inerente a um jogo..e depois, todos devem pensar que têm um federer, so pq o filho bate umas bolas ou ganhou um torneio regional..
    ponham os olhos no pai do sampras ou do federer..alguma x os viram a massacrar os filhos??

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  9. João Calheiros Lobo4 de junho de 2008 às 21:24

    Não estamos a falar de casos particulares, porque se assim for temos de falar em nomes, para não correr o risco de falar e ferir quem não devemos. No geral e para mim um Pai é sempre um PAI com letra grande e quem disser o contrário infelizmente não teve ou não soube ir ao encontro do seu Pai e vice-versa. Continuo a dizer, que os parágrafos sobre os pais foram infelizes.
    Quanto às atitudes, e da psicologia do jogo, para mim mais vale partir raquetas do que chorar e mais vale chorar do que não fazer nada. A raiva está sempre mais próxima do sucesso que a apatia e a pena de si mesmo, logo é preciso ter isso em conta, principalmente nestas idades. Assim como é preciso deitar um olho à confiança e ao convencimento, os dois estados que definem tudo para mim no ténis e que como o mar e a areia se auto-limitam continuamente. Um Pai deve sofrer pelo filho, deve ter raiva por ele, deve ter amor por ele, deve ter amizade por ele, deve ter confiança nele, deve acompanhá-lo, deve orientá-lo deve vê-lo criar a sua personalidade, deve respeitá-la deve aprender a conhecê-la. Se tiver sorte poderá sentar-se quando for velho e falar com os filhos se não tiver poderá pelo menos recordar ou deixar uma recordação aos filhos de um amigo e companheiro SEMPRE POR PERTO quando dele precisaram. Peço desculpa a todos os Pais por esta imagem tão redutora. Agora que já atirei cá para fora falem lá dessas coisas todas que andamos para aqui a jogar e que são uma pequena parte da relação PAI/FILHO. O Ténis meus senhores, não passa de um jogo entre milhares de jogos, num mundo cheio de problemas importantes. Pode ser meio de subsistência de alguns, e muito bem, mas daí até deixar de ser para a maioria um desporto amador e lúdico, vai uma distância enorme. Quanto mais se força a corda mais ela estica e um dia parte. Se a corda for fraca mas for utilizada com moderação, dura toda a vida. Para mim os verdadeiros campeões não são os que jogam ténis dos 6 aos 25, mas sim aqueles que jogam até aos 80 e 90 anos, pois esses é que conseguem passar por todas a fazes do ténis e garanto-vos que os miúdos gostam de ver os "velhotes" a jogar, por isso em vez de os tirarem do treino, chamem os pais e as mães e ponham toda a gente a jogar. Se eles estiverem a mexer, já não vão querer falar tanto e vão é perguntar ao filho como fez determinado movimento, para mostrarem que o sabem fazer também.
    No meu caso ando picado com o meu que tem 17 anos, eu tenho praticamente 49, nos torneios seniores, a ver quem faz mais pontos. Na realidade jogamos um contra o outro indirectamente. Acho que isto se pode fazer entre grupos de amigos etc.
    Peguem nas raquetas e venham mas é jogar todos.

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