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6 de junho de 2008

Ainda a propósito dos miúdos...

Recebi, felizmente,muitas reacções ao texto que escrevi sobre o fim de semana que passei com os traquinas do Norte, no estágio da AT Porto.
Podia, como óbvio, destacar muitas das coisas que vivi e senti durante essas 48 horas mas decidi, conscientemente, falar do relacionamento dos pais com os seus filhos.
Porquê, muitos me perguntaram, inclusivé alguns dos pais com quem falei no local.
Como referi, também sou pai e, como todos os que o são, quero o melhor para a minha familia e quando se trata dos mais pequenos, então, movemos este mundo e o outro para que nada lhes falte.
No entanto, presenciei um contraste absurdo, onde a alegria dos miúdos se opunha a caras carrancudas dos pais, muitos dos quais até surpresos com a incapacidade do seu filho em devolver aquela bola tão fácil.... pois, quando muitos dos pais nem praticantes de ténis são.
Verifiquei, mais vezes do que esperaria e, porque não dizê-lo, gostaria, os miúdos a não ter outra opção que não o desespero de não conseguir agradar ao pai que, de punho cerrado, gritava, que nem " Nadais" de trazer por casa um " vamos " que de incentivo só tinha de aparência porque de resto, só vendo.
Mão amiga fez-me chegar um pequeno texto, compilado pelo Instituto de Desporto de Portugal, onde são dados alguns conselhos aos pais de crianças que praticam desporto. Esta documentação, ao que apurei, também é dada aos pais dos miúdos envolvidos nos estágios que a ATPorto efectua.
Poderá ser este, talvez, o mais importante post que este blog já publicou, portanto é bom que o mesmo seja lido com atenção.
Assim sendo:
Sabemos que estão dispostos a fazer tudo pelo bem-estar dos vossos filhos.
Sabemos também que costumam acompanhar a actividade desportiva que eles realizam e que gostam de lhes proporcionar uma experiência agradável, de os encontrar satisfeitos depois dos treinos e das competições, de os ver obter resultados acima da média e ganhar as provas ou os jogos em que participam.
Pois bem!
Gostaríamos de recordar que o vosso comportamento e a maneira como os acompanham na prática desportiva quotidiana que eles realizam, vai condicionar os efeitos dessa presença, podendo mesmo, sem querer, estar a minimizar os potenciais efeitos positivos que o desporto lhes pode trazer, transformando-os em influências desagradáveis, ou mesmo prejudiciais, para a sua correcta formação.
É certo que não estão sozinhos nessa responsabilidade treinadores, dirigentes, árbitros, amigos e adeptos em geral, cada um à sua maneira e de acordo com a sua área de intervenção compartilham desse dever, que é tanto social como desportivo.
Treinador, pai e jovem praticante formam mesmo o triângulo básico deste tipo de prática, sendo o correcto relacionamento que se estabelece entre eles, um argumento determinante para a qualidade da experiência vivida e para o tipo de benefícios que o desporto lhes proporciona.
A dimensão destes benefícios passa, em certa medida, pela forma como os pais o acompanham, pela maneira serena e comedida como o ajudam a viver o seu dia a dia, pelo modo como colaboram nos momentos de alegria e de tristeza que eles, certamente, irão encontrar.
Nestas circunstâncias, de que maneira é que os pais podem contribuir para que os seus filhos vivam momentos agradáveis quando praticam desporto, beneficiando de tudo aquilo o que essa actividade lhes pode proporcionar, para a sua formação tanto como praticante, como enquanto futuro cidadão adulto?
O que os pais DEVEM FAZER para ajudar os filhos que praticam desporto:.
Estar presentes nas competições em que eles participam;.
Encorajá-los a respeitarem as regras da modalidade e do espírito desportivo;.
Dar bons exemplos através de um relacionamento amigável com os pais e os acompanhantes dos adversários;.
Realçar sempre o prazer de fazer desporto e a alegria de participar;.
Elogiar o esforço realizado e os progressos conseguidos;.
Aplaudir todas as boas jogadas e as marcas alcançadas, independentemente de que as realiza;.
Ajudar a conciliar as suas actividades escolares e desportivas;.
Apoiar e acompanhar a actividade, sem pressionar ou intrometer-se;.
Ter sempre presente que se trata de uma actividade dos jovens e para jovens;.
Ajudar o treinador, o dirigente e o clube na resolução dos problemas relacionados com a actividade desportiva em que está envolvido;.
Ter um comportamento respeitador e comedido perante as vitórias e as derrotas e ajudar os filhos a assumirem semelhante atitude.
O que os pais NÃO DEVEM FAZER para ajudar os filhos que praticam desporto:.
Forçar os filhos a participarem em qualquer actividade desportiva;.
Discutir com os árbitros e juízes;.
Comentar publicamente, de forma depreciativa o comportamento de praticantes, treinadores, árbitros e outros pais;.
Interferir de algum modo no trabalho do treinador;.
Criticar excessivamente os resultados alcançados pelos filhos;.
Ajudar a criar expectativas exageradas sobre o futuro dos filhos enquanto futuros praticantes desportivos;.
Alimentar com elogios fáceis o aparecimento de atitudes de vaidade e de sobranceria;.
Proibir a pratica desportiva, como forma de castigo, em particular face aos maus resultados escolares.

In: IDP

3 comentários:

  1. essa carta está muito boa, agora só falta é meter isso na cabeça dos pais... boa sorte...

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  2. João Calheiros Lobo6 de junho de 2008 às 23:18

    Meter quem quiser que meta não concordo com o texto. Não sei como é que se ajuda a conciliar as actividades escolares e desportivas, o IDP que nos diga. Não sei se os pais têm de ajudar o treinador o dirigente e o clube (qual ?) acho que o IDP também tem de nos ensinar isso. Ter um comportamento respeitador e comedido perante vitórias e derrotas (balelas). Não forçar os filhos a praticar qualquer actividade desportiva ( é melhor deixá-los na rua nos centros comerciais ou a jogar Playstation), Não devem discutir com árbitros e juízes (Os pirrónicos ao poder, se me deres uma bofetada eu dou-te a outra face). Comentar publicamente, de forma depreciativa o comportamento de praticantes, treinadores, árbitros e outros pais,(Como se vê fazer no canal da Assembleia da República), Interferir no Trabalho do Treinador (Pois como não!? Se o filho é nosso e o treinador recebe pelo trabalho que faz? Já agora era a primeira profissão cujo trabalho não podia ser criticado). Criticar excessivamente, não sei o que é, ou bem que se critica ou então é melhor estar calado, ou então elogia-se, senão faz lembrar o teimoso, que tão depressa está deitado como se põe de pé. As expectativas, nunca são exageradas, estão perto dos sonhos e esses são melhores que a realidade, se todos sonhássemos mais ou isso pudéssemos fazer rodava tudo melhor. A melhor de todas é esta, "Alimentar com elogios fáceis, o aparecimento de atitudes de vaidade e de sobranceria". Nas aulas de "Introdução à Política" Ensinaram-me isto de outra maneira... Proibir a prática desportiva, como forma de castigo, em particular face aos maus resultados escolares e para mim deveria ser e vice-versa, para ver se o corpo português equilibrava mais com a mente e vice-versa.


    IDP (Ind' hei De Puder)

    Preciso é raça,
    raiva, retinta
    Não fraca força
    parda e faminta.

    Preciso é vontade indómita
    Não relaxe laxismo
    pardo e coxo
    tolo e franzino

    Para voar bem alto
    Com os sonhos e enlevo
    de uma expectativa.

    João Calheiros Lobo

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  3. esta la tudo! so nao percebe quem nao quer!
    sugiro a todos o blog do fernando meligeni, onde ele posta sobre o mesmo assunto..é universal!
    http://blogdofininho.blog.uol.com.br/arch2007-08-26_2007-09-01.html
    e caro joao calheiros, custa me ver pessoa tao erudita nao perceber um conteudo tao simples...

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