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18 de Outubro de 2006

FPT - Programa Nacional de Detecção de Talentos


O que parecia ser uma boa ideia, tendo tido durante este ano várias demonstrações no terreno, está a tornar-se numa ideia , no minimo confusa.
A ideia do Paulo Lucas parecia talhada ao sucesso. Identificar talento em jogadores que já jogam ténis e ajudá-los a desenvolver o seu máximo potencial, projectando novos métodos científicos junto dos clubes e treinadores, aproximando o nosso país ao que de melhor se faz lá fora ( basta olhar para a nossa vizinha Espanha !!!) e criando condições para estágios profissionais e onde os jovens até aos 12 anos possam beber e retirar novas plataformas de conhecimento, seria, de facto, um salto qualitativo enorme para o nosso ténis.
A federação, que imediatamente abraçou o plano, tornou-o realidade em poucos meses e em Março realizou-se o 1º estágio nacional para sub-12, no Jamor,com base metodológica defenida neste programa. A este estágio já vinham atletas provenientes da Madeira e Açores que logo em Fevereiro tinha tido o seu estágio regional.
Pedro Bívar, Coordenador Nacional do PNDT, viu 14 novas esperanças do ténis infantil e assistiu a uma enorme afluência ( mais de cem ) de crianças que participavam no programa regional de Lisboa.
O plano apoiaria igualmente a ida a torneios internacionais da selecção de sub-12 e a reuniões com outros países como foi o caso de Espanha. Ao que parece, o plano estava a correr bem e no final de Agosto, a FPT publica a seguinte noticia:

30/8/2006 Programa Nacional de Detecção de Talentos
Uma aposta que já dá frutos com Patrícia Martins e Miguel Almeida

Pedro Bívar é o Coordenador Nacional do projecto lançado por Paulo Lucas

A Federação Portuguesa de Ténis (FPT) está a apostar no forte desenvolvimento do Ténis em Portugal através da formação de novos jogadores. Em marcha está um projecto que ainda não tem um ano (nasceu em Novembro de 2005) mas que já dá frutos: O PNDT – Programa Nacional de Detecção de Talentos. Exemplos são os jovens Patrícia Martins, de 12 anos, e Miguel Almeida, de 14.
A ideia surgiu do Director Técnico Nacional, Paulo Lucas, que “desafiou” para Coordenador Nacional Pedro Bívar, que entre 1991 e 2000 esteve dedicado às Selecções Nacionais como técnico da federação.
«Fui desafiado pelo Paulo Lucas e apesar de na altura estar com a vida dificultada pelo trabalho que desenvolvia em vários clubes, acreditei no projecto, percebi que estava muito bem feito e aceitei. Sempre me interessei pela formação e defendo que Portugal tem de trabalhar no desenvolvimento do ténis desde os escalões mais jovens, à semelhança dos outros países. Só a cerca de 10 anos é que começámos a perceber a importância do ténis juvenil e agora temos de acelerar para colmatar a diferença que existe face a praticantes de outros países», afirma.
«O projecto não pressupõe somente a descoberta dos atletas em fase embrionária com maior potencial, mas também deve intervir de forma activa no seu processo de formação, balizando o trabalho dos Clubes e dos treinadores e sujeitando o apoio da FPT a rigorosos critérios de qualidade. O Programa, original e inédito em Portugal é já ensaiado e posto em prática em muitos países tenisticamente desenvolvidos desde há muitos anos e com provas dadas. Pretende-se também criar uma espécie de “Modelo de Jogador Nacional”. Os nossos tenistas nunca tiveram um estilo de jogo próprio, e com este programa é possível criar esse estilo, a marca.»
O PNDT está dividido em 5 Zonas geográficas - Zona Norte (Associações Regionais de Vila Real, Porto, Viseu, Aveiro e Coimbra); Zona Centro (Lisboa, Leiria e Castelo Branco); Zona Sul (Setúbal, Alto Alentejo e Algarve); Madeira e Açores – e cada zona tem 1 Coordenador, cuja principal função é a de rastrear todos os atletas, masculinos e femininos (o PNDT tem uma concepção mista), que sejam considerados com potencial numa 1ª fase pelos clubes e Associações Regionais da sua Zona.
DOIS JOVENS COM FUTURO DE SONHO
Patrícia Martins tem 12 anos e em apenas 15 dias conquistou os títulos de Campeã Nacional de Iniciados e Infantis. Venceu dois torneios internacionais, em Itália e nos Açores e foi à final de uma prova em França. Já Miguel Almeida, 14 anos feitos recentemente, é Campeão de Infantis e Cadetes e actualmente está a lutar pelo título de Juniores no Campeonato que decorre na Quinta da Marinha.
São dois jovens formados já no âmbito do PNDT e que provam a mais valia do investimento feito. Para eles o sonho é a profissionalização mas por enquanto as maiores dificuldades são compatibilizar os estudos com as 3 horas e meia de treinos diários, apesar de serem excelentes alunos.
Gonçalo Marques, treinador de Miguel Almeida e director técnico da Associação do Alto Alentejo afirma: «É muito estimulante, um desafio bem diferente porque estamos a trabalhar com jogadores acima da média muito vocacionados e entusiasmados por este desporto e com muito talento. Sei do que estou a falar porque já fui jogador e entretanto estive nos Estados Unidos onde fiz um curso de Gestão Desportiva. Agora aplico os conhecimentos a realidades diferentes.»

No passado fim-de-semana, reunião magna do Programa, com a realização do Estágio Final no Jamor e que até contou com a participação do conhecido Van Griechen, treinador da precoce campeã Vitoria Azarenka. 24 tenistas, 4 treinadores, muitos treinos e muitos jogos e tudo vai bem no reino.
Ou não???
Ao que conta o Manuel Perez, do jornal "O Jogo", a relação entre Paulo Lucas ( Director Técnico Nacional) e Pedro Bívar ( coordenador do PNDT ) andava pelas ruas da amargura. Pedro Bívar tentou apresentar um novo projecto de interligação entre as várias selecções nacionais para que o nosso país possa ter, em qualquer momento, os melhores atletas nos escalões onde devem estar e Paulo Lucas não gostou do que ouviu e mandou retirar o assunto da mesa.
Foi a gota de água.
Ontem mesmo, Pedro Bívar apresentou o seu pedido de demissão de Coordenador do PNDT e a criança, que tão boa conta de si vinha dando, que aparentava já querer andar, fica orfã de um momento para o outro. O programa não deverá parar, ninguém é insubstítuivel mas parece-me incrível como estas coisas sempre acontecem em Portugal.

Num pequeno aparte, pergunto eu:
Não terão que ser projectos privados de alto-rendimento como a LagosTeam ou projectos de clubes com estruturas aparentemente coesas ( AceTeam, CETO, CIF ou CTFaro) a serem o motor da prospecção, iniciação e acompanhamento dos nossos novos talentos?
Não seria melhor classificar os clubes e/ou associações pelo trabalho apresentado e compensá-las finaceiramente por isso, gerindo com mais rigor os dinheiros públicos?
A ideia de tornar centralizada a questão da detecção de novos talentos não será cortar as pernas aos muitos empreendedores que, nos clubes, grandes e pequenos, lutam diariamente para apresentarem novas promessas?
Era bom que alguém apresentasse os apoios que a FPT já deu a Patricia Martins ou a Miguel Almeida ( cito estes dois pois foram bandeira do próprio programa) para todos podermos perceber se estas duas promessas do nosso ténis têm tido o apoio que os resultados que apresentam mereceriam.
Antes de sabermos se sim ou não, dificilmente podemos acreditar em programas, planos ou intenções da Federação tendo em vista elevar o nível do nosso ténis, em Portugal e na representação do nosso país por esse mundo fora.
Para reflexão de todos nós.
PS: Alguém me pergunta porque razão temos em Portugal cada vez menos torneios pontuáveis para os diversos rankings mundiais. Alguém quer responder?

14 comentários:

  1. que barbaridade é esta? tu ainda nao percebeste que o ténis portugues nao tem futuro! Estão todos a marimbar para isso da procura de talentos! Mais uma coisa, essa ideia foi do Bivar e nao do Paulo Lucas!

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  2. Em relação à autoria da ideia, não é isso que transparece das palavras do próprio Bívar e cito:
    "«Fui desafiado pelo Paulo Lucas e apesar de na altura estar com a vida dificultada pelo trabalho que desenvolvia em vários clubes, acreditei no projecto, percebi que estava muito bem feito e aceitei."

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  3. queres mais torneios internacionais?
    organiza-os tu... vai à pesca de patrocínios e boa sorte!

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  4. Após ter lido o seu extenso comentário ao PNDT não posso deixar de o alertar para o facto de o Miguel jamais ter sido integrado no referido Programa. Nem o podia ser, pois o mesmo destina-se a atletas até aos 12 anos. Essa mentira foi lançada cá para fora pela própria Federação durante o Nacional Absoluto e os mais atentos puderam ler o feroz contra-ataque no jornal O Jogo que, como vem sendo hábito, continua na linha da frente a desmascarar essas e outras mentiras do ténis português.
    Aproveito, já agora, para nesta fase da sua vida em que optou por divulgar o nosso ténis, evitar alinhar pelas tais falsidades que muita gente gosta de tornar públicas.
    Assina: A. Almeida

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  5. Amigo Almeida:
    Como reparou a indicação em relação ao Miguel é feita pela própria noticia da FPT, não sou eu que o afirmo.
    Agradeço o seu comentário podendo dar-lhe todas as certezas de que, de uma forma amadora mas sincera, aqui também estarei para divulgar o que de mau se faz neste país no e com o ténis.

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  6. barata, volte ao formato anterior
    este layout não se lê bem (até faz dores de cabeça) e já agora ponha todos os posts na página inicial pf
    e já agora, uma sugestao: faça uma apreciação à comentadora da Sport TV. gosto de ver tenis, mas hoje foi mesmo um suplicio ouvir aquela sujeita e as suas frases banais repetidas até à saciedade!

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  7. Apoiado! É penoso escutar aos comentários da TC, perdendo e muito com qualquer um dos comentadores portugueses de ténis no Eurosport...

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  8. No portugaltenis.blogspot é possível ficar a conhecer melhor essa autêntica encomenda que "comenta" para a SportTV. Realmente mete dó ouvir tamanhas banalidades. Ainda por cima tratando-se de uma ex-jogadora - internacional e campeã nacional - que acaba por demonstrar que nem à custa da experiência de uma carreira - mesmo que modesta - foi capaz de reunir os conhecimentos suficientes para ler aquilo que se passa dentro de um court de ténis. No fundo é mais uma daquelas pessoas muito medíocres que pululam no nosso ténis com a agravante de ser uma convencida... Aliás naquela família Couto não se aproveita ninguém e voltando ao ténis na SportTV o melhor é desligar o som, por muito que nos custe!

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  9. Os coordenadores regionais solidariamente apresentaram a sua demissão e o PNDT já não tem pai, nem mãe, nem sequer tios ou padrinhos.
    O que dirão os filhos e afilhados?

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  10. Rui... Desejo-lhe a maior das sortes em tentar fazer o que tão bem está a fazer: divulgar o tenis nacional. Ainda mais, sendo você um entusiasta, curioso e "desligado" de quaisquer "interesses". É pena que hajam tão poucos como você. E os que há, ou são engolidos pelo sistema (para usar uma expressão futebolística) ou rapidamente vêem a podridão e vão dar largas ao entusiasmo para outro lado. Vai ver que este nosso ténis, mais não é que um cantinho de vaidades onde todos querem puxar a brasa à sardinha e ninguém se preocupa com a visão global. E os atletas de excepção hão-de continuar a aparecer "por acaso", ou mais concretamente, pelo profissionalismo, empenho e dedicação de alguns (muito poucos! bem haja João Cunha e Silva, que tão bem sabe passar a sua experiencia profissional). Todos os outros querem é olhar para os seus clubezinhos e projectos particulares e encher os bolsos o mais depressa possível, pois nunca se sabe quando é que a galinha dos ovos de ouro vai ficar estéril!

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  11. como se ao cunha e silva não interessasse o dinheiro, hah
    é a coisa que ele mais gosta no mundo!

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  12. Profissionalismo engloba ser pago pelo que se faz. E se se fizer muito bem, é-se muito bem pago.
    Discordo é daqueles que não fazem bem, andam a enfiar "sonhos cor-de-rosa" aos atletas (sendo pagos em proporção dos sonhos, não dos resultados) e depois, nada...
    E não... Não tenho qualquer ligação com o CETO nem direito a nenhuma percentagem dos lucros do Cunha e Silva.
    Só que não deixa de ser curioso que os atletas dele, são os que melhores resultados estão a ter no circuito, neste momento. E mais curioso ainda é que nenhum deles é um "talentoso" por aí além... Mais uma vez, uma palavra: profissionalismo.

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  13. Não há dúvida que o Cunha e Silva é um óptimo profissional, mas cujo profissionalismo se faz pagar, de forma merecida, bem! Há outra coisa muito importante que o seu excelente trabalho proporciona ao ténis em Portugal, mostrar que não é preciso ir para fora de Portugal, para se fazer jogadores. Pedro Sousa e Gastão Elias (ainda com muito que provar) fizeram-se cá, como o Frederico Gil, todos com grande investimento pessoal. Este último, porém, não pode negar que não beneficiou do antigo Centro Nacional de Treino, estrutura federativa, antes de ingressar no CETO. Naturalmente que o mérito de estar onde está é seu e do seu treinador, mas não pode considerar esse período como tempo perdido. Aliás, Leonardo Tavares, atingiu o seu melhor período quando estava no CNT na Maia.
    Quando se critica a inércia da federação, um programa que pode melhorar o nível dos nossos atletas no futuro sofre este revés! O PNDT tem tudo para poder dar os seus frutos a longo prazo, num país, em que 1)os melhores têm aversão em treinar juntos (egos gigantes de Atletas, Pais e Treinadores), e 2) o calendário têm demasiadas provas, muitas coincidentes, o que despromove o confronto entre os melhores!Este programa é uma forma de promover convivios e estágios que permitam aos melhores de diferentes pontos do país, treinarem e jogarem uns com os outros. Só falta agora mudarem o regulamento de torneios, e deixar de haver torneios A, B e C, que embora muita gente se tenha "cortado" neste ano, com a desculpa do calendário internacional, penso que, lentamente, a cultura do torneios a nível nacional estava a mudar, e os torneios A, estavam a servir para que os melhores de cada escalão se juntassem, em vez das ocasiões únicas de confronto, que eram os campeonatos nacionais. É preciso, para bem dos atletas, que cada vez mais, os torneios A, sejam encarados, como "outros" campeonatos nacionais, onde devem estar os seleccionadores nacionais do escalão em que se joga o torneio, e um dos critérios de selecção deve ser a presença nestes torneios, para que os melhores provem às 2as linhas que são os melhores. Se isto não mudar, os bons vão continuar a ser muito poucos, a anos luz das segundas linhas. E nós só vamos ter um excelente, se o nível médio for alto. Outro aspecto fundamental e que dará realidade ao ténis de competição em Portugal será a peridiocidade com que sai a classificação nacional em Portugal. Já este ano devia ter sido semestral, o que não aconteceu. Um exemplo, de certeza, no Solverde teremos algum espertalhão (porque as regras assim permitem), que já nem treina com regularidade a beneficiar de uma classificação com quase um ano, a entrar no quadro, só para receber umas massas e ir embora, e no qualifying estarão jovens atletas, que só este ano terão começado a jogar torneios seniores, e que se a peridiocidade do ranking fosse outra, a verdade pô-los-ia no quadro principal.
    Desculpem o texto longo, mas estava tudo aqui atravessado...
    Abraços
    jesualdo ferreira

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  14. E de quem é culpa de não existir essa classificaçãom periódica? E de quem é a culpa de os tais torneios do nível A estarem completamente descredibilizados, pois, entre coisas, não cumprem com o regulamento a maior parte dos encontros são disputados sem árbitros, levando a que (como já aconteceu) se fabriquem resultados? E como é que se defende um Centro Nacional de Treino que gastou milhares de contos e não atibgiu os objectivos propostos? Enfim estas questões são apenas uma gota no oceano da mediocridade dos actuais responsáveis federativos - onde se inclui o secretário-geral; o funcionário destacado para o fomento que por ter sido uma nulidade nesse projecto passou a tratar da concessão dos campeonatos e limita-se a ser um estafeta que leva os troféus para as provas; um departamento de comunicação, pago a peso de ouro com a contração de uma entidade externa, após despedirem uma colaboradora, que se limita a plagiar informação dada num determinado jornal com sede no Porto. Ah! e convém ainda sublinhar que alguns dos dirigentes associativos são uns autênticos lambe botas, sempre à espera do subsídio - mesmo apresentando licenças falsas - dispostos a mandar abaixo as Direcções da FPT quando alguém decide apertar-lhe os calos. Desabafo ou não, para já, fico por aqui, mas como o Sr. Rui Barata já mostrou interesse em dar a conhecer os podres deste ténis à beira-mar... enterrado, prometo voltar, pois não tenho telhado de vidros e faço do ténis a minha profissão sem estar comprometido seja com quem for.
    A terminar, dou os parabéns a este blog, tal como o outro, grande pioneiro (portugaltenis.blogspot).
    Saudações desportivas do Correa de Compaio (o pseudónimo que me ocorreu para assinar este trecho)

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